terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Viagem Alucinante - II

CAPÍTULO II

O segundo imediato observava a sua nova tripulação, inspeccionando-a antes da partida.
Asgar tinha ar de vilão, de pirata, impróprio para a respeitosa posição que ocupava. Tresandava a bebida, com barba espicaçada, força de lenhador, este galês impunha a sua presença, por onde quer que passasse. No entanto, a sua competência e a sua destreza comprovavam o seu valor.
Benito estava a seu lado, transpirando por todos os poros, destoava claramente de Asgar, como figura franzina que era. Se bem que a sua inteligência não fosse algo que se destacasse, também tal não lhe era exigido, uma vez que a sua perícia provinha da rapidez com que subia os mastros.
Uma sonora pancada anunciou a chegada do comandante. Ele, lentamente, aproximou-se dos seus oficiais e então ergueu a fronte, revelando a firme barba branca e um olhar distante, bradou a todos:
- Bravos marinheiros, grande é a vossa coragem. A vontade de um povo, a confiança de Deus e da Coroa protegem-nos e hão-de levar-nos a boa maré. Descansem os corações das vossas mulheres e famílias, que vos prometo solenemente, aqui e agora, a glória do sucesso nesta viagem às riquezas da India. Viva o Reino de Portugal e todo o seu povo!
E as hostes, empolgadas, ergueram a sua voz para os céus e gritaram viva, uma vez e outra e outra…
O comandante ordenou, então, que fossem feitas as saudosas despedidas a Lisboa, certo de que a voltariam a ver novamente.
Rui Dias fez um aceno à população que viera vê-los partir. A nau Esperança zarpava deixando o doce perfume da romaria alfacinha, virando costas a Lisboa e partindo rumo a lugar incerto.
As vozes que lhes desejavam boa sorte desapareciam no horizonte, à medida que o cais ficava para trás e a nau avançava nas águas no seu caminho. Era o início de uma grande aventura.
A Esperança galgava as ondas do mar em direcção ao mar alto, e com ela seguia a esperança de um grupo de homens que desafiavam o desconhecido, em busca de sonhos, de aventuras, de dinheiro, ou simplesmente de uma vida melhor…

Carvalho, Nuno, Viagem Alucinante

Viagem Alucinante - I

Capítulo I

Lisboa, capital do reino português.
Ano 1502, século XVI.
As margens do Tejo ofereciam uma melancolia serena, numa terra cheia de vida. Terra de sonhos esta, de mundos por explorar, e em que cada novo dia trazia a brisa do oceano logo ali, tão perto, que abria os braços para os corações mais destemidos e sedentos de aventura. E que aventura era o caminho das Índias.
Os barcos partiam carregados de sonhos e de esperança e voltavam cheios de riquezas de terras longínquas no Oriente.
A nossa história recai num destes bravos mas simples homens, de olhos postos no horizonte. Podemos encontrá-lo junto ao cais de embarque, a vaguear por entre a atarefada multidão, como o fazia todos os dias.
Rui Dias, observava o ponto de partida da sua nau, onde conseguira um lugar como marinheiro, sonho finalmente realizado, agora como um formoso jovem, mas em que a espera parecera uma eternidade.
Tinha a aventura no coração, diziam vozes conhecidas, em que desde a tenra infância, as viagens haviam cultivado um ardente desejo de conhecer o mundo. Influenciado pelas antigas histórias que o avô lhe contava, de grandiosos reis, fabulosas cidades, povos de tez escura, tudo ainda por desvendar, um Novo Mundo estava à sua espera para lá do oceano.
A sua embarcação preparava-se para zarpar, era tempo de se despedir de Lisboa. Escutou, talvez pela última vez, a acalmia do mar e o melancólico som das ondas que brincavam com os pequenos barcos de pesca. Sentiu a brisa vinda do oceano, uma brisa que o chamava, como o canto das sereias.
Lisboa estava viva, resplandescia sob um sol acolhedor e um céu de pleno azul. Respirava-se frescura, sentia-se a emoção da partida para o início de mais uma viagem das Descobertas e o povo vinha ver as naus partirem. As indias moviam uma nação.
O vento começou a soprar. O primeiro imediato elevou a sua voz por cima da multidão:
- Todos a bordo! Vamos partir...
Nisto, Rui, como que saído de um transe, saltou por cima de um barril e apressou-se a carregar a sua trouxa para bordo.
Quando ia a subir reparou que o comandante se encontrava cá fora no convés. Homem experiente, com muitos anos de viagens marítimas das primeiras descobertas, aspecto rubusto e decidido, de barba branca e olhar distante.
Empurraram-no para a frente pois Rui ficara como que parado no tempo, a ver o comandante, mas teve de seguir, a nau não esperaria por si.
Entrou e viu a grande variedade de nacionalidades que se encontravam a bordo. A promessa de riqueza trouxera gentes de outros pontos da Europa.
Asgar, o segundo imediato, era escandinavo, Mbouh, o cozinheiro, escravo foragido do Norte de África, Paolo, era o timoneiro genovense e Benito, o homem da escotilha, orgulhoso catalão.
Asgar ordenou que todos os marinheiros se instalassem no porão e que, pouco depois, deveriam apresentar-se no convés. Assim foi feito, o porão, lugar algo sujo e desconfortável, com cheiro a mofo, os beliches, agrupados desordenadamente.
A companhia variava entre simpáticos marinheiros e sombrios piratas, mas na sua maioria eram homens de poucas palavras.
Fora, no entanto, difícil providenciar uma tripulação com um mínimo de competência e fora assim que Rui conseguira o seu lugar.
Carvalho, Nuno, Viagem Alucinante

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Mais bijuteria


















Um brinco e um colar personalizados...

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Está quase

Ai República espera por mim...

Crónica

Quantas trivialidades se nos cruzam na vida, às quais damos mais ou menos importância conforme o nosso estado de espírito. Somos todos diferentes e únicos, assim como o são os nossos sentimentos e a nossa maneira de ser. Certo é que repetimos padrões, que nos devemos comportar de forma desejada conforme as regras que vamos aprendendo.

Mas, na verdade, somos únicos e, para além de racionais, somos emotivos. Facilmente julgamos atitudes e comportamentos mas já não somos tão claros quando julgamos as emoções, principalmente as nossas.

Todos repetimos, em alguns pontos, experiências de vida mas a forma com que cada um as “vive” prova a nossa autenticidade (naquilo que somos e naquilo que acreditamos). Somos previsíveis pois as nossas acções derivam de um código de conduta entregue pela sociedade, naquilo que nos é exterior - os outros. Quem nunca pensou naquilo que os outros poderiam dizer ou pensar. Precisamos de ser aceites mas até onde estamos dispostos a ir? A partir de que ponto perdemos a noção do eu? Cada qual faça a pergunta a si mesmo: quem sou verdadeiramente eu e o que realmente pretendo? Não devemos ser uma sombra de nós próprios.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Acreditei















Acreditei numa ilusão
Na mais bela de todas
A ilusão de um amor
Que me devolvesse à felicidade plena
De partilhar a minha vida, o meu ser,
As minhas esperanças com alguém.

Acreditei e bebi da fonte das ilusões
E embriaguei-me nela
Tão doce era o seu aroma.

Acreditei e, iludido, sonhei que era capaz
De alcançar um amor total,
Sem medo de sofrer
Pois Deus se compadeceria de mim.

Amei, com uma força mágica imparável,
Convicto de que poderia ser feliz,
Trazendo a minha felicidade
À felicidade dela.

Amei, sem saber que era possível
Amar tanto assim,
E entreguei-me de corpo e alma,
Sem preconceitos, a este amor-promessa.

Agora vejo o Sol a descer no horizonte
E a noite a aproximar-se
Pois o meu amor é solitário
E só me deixou espinhos.

Agora sofro, como tanto temia,
E apesar de saber que poderia ser este o lugar
A que o meu caminho levaria,
Desafiei o destino e defendi o meu amor.

Agora a noite cai
E a luz que invade a minha alma definha lentamente
O meu amor por ti só pode sobreviver a dois
Mas tu fechaste a porta
E não me deixaste entrar no teu mundo
Sabendo eu o quanto mudei para nele entrar.

Deixem-me só por agora,
O meu amor tornou-se veneno
E o tormento veio tomar o seu lugar.

Poema: Hugo Morais, pseudónimo de Nuno Carvalho
Escrito e publicado no Correio da Manhã em 6/6/2000

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Onde está o Wally?















Que não hajam enganos! Nunca trocaria o meu Belém pelos lados da luz mas por pedido expresso da malta benfiquista aqui fica a recordação.
Como podem ver está desactualizado. O Benfica ainda jogava de vermelho...

Massagem - Doença de Chron

"A doença de Crohn manifesta-se com mais frequência em adultos jovens. Os factores etiológicos incluem anormalidades imunológicas, vírus e substâncias químicas nos alimentos. Ocorre inflamação crónica, primeiro do íleon terminal, que também pode estender-se para qualquer
parte do trato intestinal, incluindo cólon, boca, esófago e ânus. A ulceração da mucosa sempre está presente. Complicações adicionais incluem aderências nas estruturas subjacentes, ulceração na parede do intestino e congestão da linfa. Nos estágios iniciais, há leve diarreia e dor abdominal.
■ A massagem abdominal geralmente é descartada neste tipo de
condição. Entretanto, uma leve massagem reconfortante, de
deslizamento, pode ser tolerada e é segura, desde que a condição não
seja grave. De outro modo, a massagem sistémica é usada para ajudar
na circulação, na drenagem da linfa e na eliminação de toxinas."
(Mario-Paul Cassar)

Sabia que?

"O relaxamento, que em si mesmo possui um valor terapêutico,
talvez seja o efeito mais livremente associado com a massagem. Já em
1800 a.C, os hindus usavam a massagem para redução de peso,
indução do sono, combate à fadiga e relaxamento. Ao longo dos séculos,
a capacidade de relaxamento da massagem tem sido usada para tratar
muitas condições, como histeria e neurastenia (uma forma de síndrome
pós-viral)."
[Mario-Paul Cassar]

Algo mais

Onde se encontrará o Homem na eterna busca do seu ser? Linhas de orientação que se seguem, normas e pistas dadas por ninguém e impostas por todos. Chamaremos a isto vida? Então porque nos encontramos realmente quando confrontados com algo que nos escapa dessas linhas de orientação? Este desejo de uma vida “normal” será mesmo assim ou desejamos algo diferente sem sequer o sabermos e daí esse amargo de boca que por vezes provamos e que nos leva a um “sabe a pouco”?

Os 3 objectivos

Quais os nossos grandes objectivos na vida?

Houve quem afirmasse que deveriam ser três:
- plantar uma árvore
- fazer/criar um filho
- escrever um livro

Devo dizer que já plantei a minha árvore e que já tenho um livro escrito mas por rever e melhorar.
Assim, enquanto não termino a revisão do meu livro, já tenho a capa feita no Photoshop para o mesmo.
Aproveitarei para nas próximas mensagens publicar os primeiros capítulos do meu livro.

Bem haja

segunda-feira, 2 de julho de 2007

"Ele escrevia para ela"



















As palavras fluíam entre os dedos,
Ecoavam como cânticos,
Magia que se estendia pelos ventos,
Que aqueciam o coração jovem.

Ele escrevia para ela,
E uma aura brilhante mas calorosa o rodeou,
As palavras escritas eram sagradas,
Pois o coração ditava o que a alma entoava.

As palavras tocavam a carta,
O amor tudo preenchia,
Pois o amor quando é absoluto,
Cobre toda a Terra e os anjos cantam.

Ele escrevia para ela,
E o seu pensamento era puro,
Escrevia para nada mais pedir,
Senão que aceitasse o seu amor incondicional.

Enquanto escrevia,
A aura crescia e envolvia-o em tons de azul,
As lágrimas escorriam pela sua face,
Pela primeira vez.

Ele escrevia para ela,
E ela era o tudo e o nada,
Pois nada mais havia à sua volta,
O amor embalava-o para os seus ternos braços.

A luz dos seus olhos brilhava,
era a mais cintilante das estrelas,
E o Espírito foi surgindo,
Na chama que o consumia.

Ele escrevia para ela,
As palavras encontravam o sentido da vida,
Deus estava presente,
Pois Ele está connosco quando o amor chama.

Tudo o que fora, o seu passado,
Nada mais importava,
O anjo tornara-se homem,
Ela existia.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Bijuteria - brincos

Para além de anéis e colares também faço brincos. E estes são relativamente fáceis de elaborar.
Basta usar a sua imaginação...

Massagem Chinesa - Rotina

Pensamento

Ideia do presente
Nunca somos felizes por termos a alma ou no passado ou no futuro.

Karting

Para quem pretende experimentar um desporto radical como o karting consulte a página da AbKart em www.abkart.web.pt , organização da qual faço parte e que lida com este tipo de eventos desde 2000.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Salsa - onde aprender e dançar


Neste último ano estive a aprender a dançar salsa, uma experiência nova para quem tem "pés de chumbo". E a verdade é que resultou, valeu bem a pena e diverti-me muito. Um bom sítio com um excelente professor. Vejam por vocês próprios em www.academiadancaluisnunes.com

Se não sabem bem o que é a salsa vejam um exemplo no video abaixo: http://www.youtube.com/watch?v=oL4asaZt9u0&mode=related&search=
E não pensem que não conseguem. Vão surpreender-se.

Massagem Chinesa - Preliminares

Preliminares

- Exercício da nuca
- Preparação (ombros, pescoço, braços, pernas-pontos dos órgãos)

Introdução à Massagem Chinesa

Descrições baseadas no Workshop de “Massagem Chinesa” que efectuei sob orientação da Marta Dinis do Next-Art. Aproveitem e ensinem lá em casa para que possam beneficiar :)
Hoje publico apenas uma primeira parte. Acompanhem o blog para as restantes práticas.

Introdução
O pensamento chinês difere do pensamento ocidental. Enquanto o ocidental busca a compensação do seu desequilíbrio no oposto, por exemplo, ao procurar o calor quando tem frio, o oriental procuraria a complementaridade, em que no mesmo exemplo poderia tomar um banho frio precisamente num dia frio, de modo a sentir calor.
O que o oriental procura na verdade é acelerar o seu ciclo Yin ou Yang conforme a situação para mais facilmente e mais rapidamente chegar ao equilíbrio harmonioso, pois tudo é energia.
A energia Yin representa a passivo, simbolizada na terra é a matéria, o que cria, o que gera, logo ligado à mulher e à fertilidade. A energia Yang representa o activo, simbolizada no céu é o movimento, a energia em absoluto, logo ligado ao homem. As duas energias coabitam nos homens e nas mulheres apesar das suas representações.
A massagem chinesa segue os mesmos critérios. Procura esse mesmo equilíbrio. Compensa o corpo com uma massagem Yang quando a pessoa está com muita energia Yin e vice-versa. Daí os cuidados a ter na sua aplicação.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Do que falamos?

O escuro.
Tudo repousa.
De volta da caminhada pela terra dos sonhos, a alma emerge na consciência do ser,
abraçando o corpo e tornando-se uno.
Um doce sossego reina no descanso merecido do guerreiro, onde o dia ainda não
mora. Subitamente, violentamente, algo dispara em redor. Um som de rompante
invade o reino do sossego, fazendo a luz entrar sem pedir licença.
A consciência vem ao de cima e assume a vontade imposta de acordar para o mundo
lá fora.

Novembro de 1996
Re: O despertador.

Experiências em Fimo

Prática que me levou a estender a minha criatividade em algo mais palpável, algo que pudesse ser tocado. O nome fimo vem da marca Fimo, mas há outras conhecidas como a Sculpey. Tem a aparência da plasticina mas quando vai ao forno o fimo fica duro e serve para múltiplas funções, desde decoração e ímanes para o frigorífico a peças que já aproveitei para bijuteria, por exemplo.


Bijuteria - anéis

Apresento alguns dos anéis feitos por mim. Foram feitos por ideias próprias ou aplicadas pelos workshops da Casa da Missangas, que frequento.
Contactem se estiverem interessados(as).

Apresentação

Esta é a minha mensagem de entrada. Neste blog pretendo dar a conhecer os meus interesses e trabalhos realizados, a saber, a bijuteria, a escrita, a massagem chinesa, o fimo, a salsa, o desenho, entre outros.
Assim, irei apresentando algumas das minhas criações - Nuno Creations - onde qualquer pessoa interessada as poderá consultar.