segunda-feira, 30 de julho de 2007

Acreditei















Acreditei numa ilusão
Na mais bela de todas
A ilusão de um amor
Que me devolvesse à felicidade plena
De partilhar a minha vida, o meu ser,
As minhas esperanças com alguém.

Acreditei e bebi da fonte das ilusões
E embriaguei-me nela
Tão doce era o seu aroma.

Acreditei e, iludido, sonhei que era capaz
De alcançar um amor total,
Sem medo de sofrer
Pois Deus se compadeceria de mim.

Amei, com uma força mágica imparável,
Convicto de que poderia ser feliz,
Trazendo a minha felicidade
À felicidade dela.

Amei, sem saber que era possível
Amar tanto assim,
E entreguei-me de corpo e alma,
Sem preconceitos, a este amor-promessa.

Agora vejo o Sol a descer no horizonte
E a noite a aproximar-se
Pois o meu amor é solitário
E só me deixou espinhos.

Agora sofro, como tanto temia,
E apesar de saber que poderia ser este o lugar
A que o meu caminho levaria,
Desafiei o destino e defendi o meu amor.

Agora a noite cai
E a luz que invade a minha alma definha lentamente
O meu amor por ti só pode sobreviver a dois
Mas tu fechaste a porta
E não me deixaste entrar no teu mundo
Sabendo eu o quanto mudei para nele entrar.

Deixem-me só por agora,
O meu amor tornou-se veneno
E o tormento veio tomar o seu lugar.

Poema: Hugo Morais, pseudónimo de Nuno Carvalho
Escrito e publicado no Correio da Manhã em 6/6/2000

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