quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Uma prenda secreta

Este poema escrevi para a Carla um dia. Na verdade, eram um conjunto de pistas espalhadas pela casa que a levariam a um tesouro escondido. Tudo o que lá está é uma sequência lógica :)

Cristo é o caminho,
Onde tudo parte, onde tudo começa.
Ao ver voar uma borboleta,
Por entre as flores,
Segui os passos dos anjos que me olhavam trocistas.
Primeiro um, depois outro,
Levaram-me até à porta,
Que me levaria a um novo passo no meu caminho.

De coração palpitante,
Vi um gato passar.
Era verde como o prado,
E sorrindo depressa fugiu.
Cristo cruzou-se novamente no meu caminho,
Agora como o Deus Menino.
A seu lado estavam Maria e José,
E ao alto, a guardá-lo,
Anjos marotos espreguiçavam-se languidamente.

Decidi meditar,
E eis que Buda me levou ao meu próximo passo,
As palavras do amor esperavam-me.
I Love You, amo-te, ti amo,
Doces palavras sejam qual for a língua.
Vermelho é o amor,
Como as velas que me guiam,
A luz que procuro,
mas ainda não encontro.

O gato verde mais não vi,
Mas por lá deve ter passado,
Pois dois gatos trocavam um beijo,
Saberiam eles do amigo apressado?
Logo duas estátuas me chamaram,
Altas e graciosas,
Mas espanhol eu não falava,
E mudos ficaram,
preto no branco de face envergonhada.

Espreitei o Pai Natal,
Nada temi pois bem me portei certamente,
Mas seria ele que algo me daria?
De olho de esguelha me indicou,
Um anjo sorridente que o olho piscou,
E com uma flor me acenou.
De sorriso largo,
À minha espera estava,
Longo já ia a minha viagem,
Mas disse para mim,
Para ver melhor,
O caminho enfim,
Boaventura aguardava,
Escondido tinha atrás o que tanto procurava...

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