CAPÍTULO III
O vento soprava ligeiro e a nau caminhava pela rápida corrente marítima.
Rui observava o oceano na vigia. Tinha olhos de águia e, de cima, avistava o horizonte, mas nada havia a não ser um mar que se estendia pelo infinito. Para onde quer que Rui olhasse, só se vislumbrava o mar. Nem as nuvens apareciam no céu para dar outro colorido. Apenas o azul dominava: o claro do céu e o escuro das águas. E assim foi nos primeiros dias depois de Sagres.
Os piratas muçulmanos não se haviam cruzado com o seu caminho.
Tudo corria calmamente; Paolo, o genovês, à noite, sob um manto de estrelas, contava belas histórias da sua cidade natal, onde, dizia ele, as mulheres eram como um perfume que nos rodeia e não se esquece. Os marinheiros portugueses riam, pois para eles nada se comparava à mulher portuguesa.
Mbouh, sempre mal-encarado, conversava isoladamente com Asgar. As duas figuras causavam um calafrio a quem se cruzasse com eles. Ambos pareciam conspirar algoem conjunto. Apesar de tudo, Mbouh era um excelente cozinheiro. Nada se conhecia das origens do africano. A sua vida era um mistério e Mbouh raramente abria a boca,a não ser para falar com Asgar.
Asgar bebia gole a gole a sua bebida e coçava pensativamente a sua barba. Parecia preocupado. Observava com nervoso miudinho, os membros mais taciturnos da tripulação. Estes membros tinham aspecto de quem já havia pertencido à pirataria. No entanto, eram uma minoria…
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Um momento de inspiração
Porque me olhas nos olhos? Algo no teu olhar me arrepia como se nunca alguém me tivesse visto assim. E, no entanto, esse teu olhar é fonte de desejo, onde me perco no meu ser e ao mesmo tempo encontro o meu lugar no mundo, como se todo o tempo que vivi nada mais fosse do que um caminho escuro que me trouxe ao momento em que descubro a luz dos teus olhos.
Que estranho tormento que eu não conhecia e que me revela uma certeza, quando a razão se torna emoção e sinto que foi o destino que nos uniu e são os doces laços do amor que me fazem querer ser teu para sempre.
Que estranho tormento que eu não conhecia e que me revela uma certeza, quando a razão se torna emoção e sinto que foi o destino que nos uniu e são os doces laços do amor que me fazem querer ser teu para sempre.
Uma prenda secreta
Este poema escrevi para a Carla um dia. Na verdade, eram um conjunto de pistas espalhadas pela casa que a levariam a um tesouro escondido. Tudo o que lá está é uma sequência lógica :)
Cristo é o caminho,
Onde tudo parte, onde tudo começa.
Ao ver voar uma borboleta,
Por entre as flores,
Segui os passos dos anjos que me olhavam trocistas.
Primeiro um, depois outro,
Levaram-me até à porta,
Que me levaria a um novo passo no meu caminho.
De coração palpitante,
Vi um gato passar.
Era verde como o prado,
E sorrindo depressa fugiu.
Cristo cruzou-se novamente no meu caminho,
Agora como o Deus Menino.
A seu lado estavam Maria e José,
E ao alto, a guardá-lo,
Anjos marotos espreguiçavam-se languidamente.
Decidi meditar,
E eis que Buda me levou ao meu próximo passo,
As palavras do amor esperavam-me.
I Love You, amo-te, ti amo,
Doces palavras sejam qual for a língua.
Vermelho é o amor,
Como as velas que me guiam,
A luz que procuro,
mas ainda não encontro.
O gato verde mais não vi,
Mas por lá deve ter passado,
Pois dois gatos trocavam um beijo,
Saberiam eles do amigo apressado?
Logo duas estátuas me chamaram,
Altas e graciosas,
Mas espanhol eu não falava,
E mudos ficaram,
preto no branco de face envergonhada.
Espreitei o Pai Natal,
Nada temi pois bem me portei certamente,
Mas seria ele que algo me daria?
De olho de esguelha me indicou,
Um anjo sorridente que o olho piscou,
E com uma flor me acenou.
De sorriso largo,
À minha espera estava,
Longo já ia a minha viagem,
Mas disse para mim,
Para ver melhor,
O caminho enfim,
Boaventura aguardava,
Escondido tinha atrás o que tanto procurava...
Cristo é o caminho,
Onde tudo parte, onde tudo começa.
Ao ver voar uma borboleta,
Por entre as flores,
Segui os passos dos anjos que me olhavam trocistas.
Primeiro um, depois outro,
Levaram-me até à porta,
Que me levaria a um novo passo no meu caminho.
De coração palpitante,
Vi um gato passar.
Era verde como o prado,
E sorrindo depressa fugiu.
Cristo cruzou-se novamente no meu caminho,
Agora como o Deus Menino.
A seu lado estavam Maria e José,
E ao alto, a guardá-lo,
Anjos marotos espreguiçavam-se languidamente.
Decidi meditar,
E eis que Buda me levou ao meu próximo passo,
As palavras do amor esperavam-me.
I Love You, amo-te, ti amo,
Doces palavras sejam qual for a língua.
Vermelho é o amor,
Como as velas que me guiam,
A luz que procuro,
mas ainda não encontro.
O gato verde mais não vi,
Mas por lá deve ter passado,
Pois dois gatos trocavam um beijo,
Saberiam eles do amigo apressado?
Logo duas estátuas me chamaram,
Altas e graciosas,
Mas espanhol eu não falava,
E mudos ficaram,
preto no branco de face envergonhada.
Espreitei o Pai Natal,
Nada temi pois bem me portei certamente,
Mas seria ele que algo me daria?
De olho de esguelha me indicou,
Um anjo sorridente que o olho piscou,
E com uma flor me acenou.
De sorriso largo,
À minha espera estava,
Longo já ia a minha viagem,
Mas disse para mim,
Para ver melhor,
O caminho enfim,
Boaventura aguardava,
Escondido tinha atrás o que tanto procurava...
Ele escrevia para ela
As palavras fluíam entre os dedos,
Ecoavam como cânticos,
Magia que se estendia pelos ventos,
Que aqueciam o coração jovem.
Ele escrevia para ela,
E uma aura brilhante mas calorosa o rodeou,
As palavras escritas eram sagradas,
Pois o coração ditava o que a alma entoava.
As palavras tocavam a carta,
O amor tudo preenchia,
Pois o amor quando é absoluto,
Cobre toda a Terra e os anjos cantam.
Ele escrevia para ela,
E o seu pensamento era puro,
Escrevia para nada mais pedir,
Senão que aceitasse o seu amor incondicional.
Enquanto escrevia,
A aura crescia e envolvia-o,
As lágrimas escorriam pela sua face,
Pela primeira vez.
Ele escrevia para ela,
E ela era o tudo e o nada,
Pois nada mais havia à sua volta,
O amor embalava-o para os seus ternos braços.
A luz dos seus olhos brilhava,
era a mais cintilante das estrelas,
E o Espírito foi surgindo,
Na chama que o consumia.
Ele escrevia para ela,
As palavras encontravam o sentido da vida,
Deus estava presente,
Pois Ele está connosco quando o amor chama.
Tudo o que fora, o seu passado,
Nada mais importava,
O anjo tornara-se homem,
Ela existia.
Por Nuno Carvalho
Ecoavam como cânticos,
Magia que se estendia pelos ventos,
Que aqueciam o coração jovem.
Ele escrevia para ela,
E uma aura brilhante mas calorosa o rodeou,
As palavras escritas eram sagradas,
Pois o coração ditava o que a alma entoava.
As palavras tocavam a carta,
O amor tudo preenchia,
Pois o amor quando é absoluto,
Cobre toda a Terra e os anjos cantam.
Ele escrevia para ela,
E o seu pensamento era puro,
Escrevia para nada mais pedir,
Senão que aceitasse o seu amor incondicional.
Enquanto escrevia,
A aura crescia e envolvia-o,
As lágrimas escorriam pela sua face,
Pela primeira vez.
Ele escrevia para ela,
E ela era o tudo e o nada,
Pois nada mais havia à sua volta,
O amor embalava-o para os seus ternos braços.
A luz dos seus olhos brilhava,
era a mais cintilante das estrelas,
E o Espírito foi surgindo,
Na chama que o consumia.
Ele escrevia para ela,
As palavras encontravam o sentido da vida,
Deus estava presente,
Pois Ele está connosco quando o amor chama.
Tudo o que fora, o seu passado,
Nada mais importava,
O anjo tornara-se homem,
Ela existia.
Por Nuno Carvalho
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