CAPÍTULO III
O vento soprava ligeiro e a nau caminhava pela rápida corrente marítima.
Rui observava o oceano na vigia. Tinha olhos de águia e, de cima, avistava o horizonte, mas nada havia a não ser um mar que se estendia pelo infinito. Para onde quer que Rui olhasse, só se vislumbrava o mar. Nem as nuvens apareciam no céu para dar outro colorido. Apenas o azul dominava: o claro do céu e o escuro das águas. E assim foi nos primeiros dias depois de Sagres.
Os piratas muçulmanos não se haviam cruzado com o seu caminho.
Tudo corria calmamente; Paolo, o genovês, à noite, sob um manto de estrelas, contava belas histórias da sua cidade natal, onde, dizia ele, as mulheres eram como um perfume que nos rodeia e não se esquece. Os marinheiros portugueses riam, pois para eles nada se comparava à mulher portuguesa.
Mbouh, sempre mal-encarado, conversava isoladamente com Asgar. As duas figuras causavam um calafrio a quem se cruzasse com eles. Ambos pareciam conspirar algoem conjunto. Apesar de tudo, Mbouh era um excelente cozinheiro. Nada se conhecia das origens do africano. A sua vida era um mistério e Mbouh raramente abria a boca,a não ser para falar com Asgar.
Asgar bebia gole a gole a sua bebida e coçava pensativamente a sua barba. Parecia preocupado. Observava com nervoso miudinho, os membros mais taciturnos da tripulação. Estes membros tinham aspecto de quem já havia pertencido à pirataria. No entanto, eram uma minoria…
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
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